Em 2023, abrimos operação ativa em Xangai. Foi o teste mais duro de governança que o grupo já passou — e o que mais nos ensinou.
Traduzir é o de menos. O desafio real foi adaptar processos sem reescrevê-los. Reuniões a partir de horários que para nós são madrugada. Ciclos de decisão mais rápidos do que o brasileiro está acostumado. Regulamentação chinesa de dados e operação que não tem paralelo direto no Brasil.
O que sustentou a operação não foi tradução. Foi ter, antes de chegar lá, um corpo de SOPs (standard operating procedures) escrito a quatro mãos com gestores locais — não imposto de São Paulo. Documentação viva, em mandarim, com rituais semanais de calibração com a sede.
Aprendizado prático: governança forte não é hierarquia centralizada. É clareza de princípios e autonomia local para aplicar. Times em Xangai tomam 90% das decisões de operação local sem consultar São Paulo. Os 10% restantes — risco material, M&A, posicionamento de marca — sobem.
Para holdings brasileiras considerando a Ásia, o conselho é direto: não se prepare para vender lá. Prepare-se para aprender lá. O mercado chinês acelera o relógio operacional de qualquer empresa que sobreviva nele — e essa aceleração, trazida de volta ao Brasil, vira vantagem competitiva.

